12.22.2011
uma mão clara a roçar-me no pescoço outrora moreno, agora pálido pela acção lenta e dilacerante do inverno. os meus lábios tinham feridas, os meus olhos estavam cansados, pressenti-o. mas os teus não - sempre ávidos com o mais ardente dos desejos. esmeralda líquida derramada nesses teus dois berlindes que eu teimei em fixar. vi-a movimentar-se tornando-se amarela e cor de mel. e no meio, uma íris pequenina e tímida, típica dos olhos expostos à escuridão. será o meu interior assim tão escuro? oh, como isso não importava. e como ambos nos perdemos nos sonhos um do outro. corremos por essa estrada fora a que alguns chamam de futuro. eu não queria avançar, tinha medo. sempre fui um coelho escondido numa toca, mais assustado pela própria vida do que pelos tiros do caçador. e tu eras o coelho mais corajoso da nossa toca. levaste-me pela pata. fizeste-me feliz e isso assustou-me de morte, tal como a própria felicidade, sentimento que exerce o comando no mundo dos fracos. a felicidade expõe-nos. tira-nos as cartas. e quando a perdemos, as cartas também se vão... e a vontade de jogar segue-as. ai, como me envolveste. como me prometeste coisas que nunca me poderias dar. e eu neguei-as. compreende-me, era sábia, astuta. e acertei. brilhante, não é? não me podes prometer o que não me podes dar. nunca mais o faças. porque não existem sempres. existe a estrada sinuosa que me obrigaste a percorrer, estrada essa que se prolonga pelo inconsciente, negando-se ao real. porque na realidade eu existo, tu existes; o nós, pronome demasiado pessoal, extinguiu-se. porque o amor transbordou e estamos todos sem navio. porque o "para sempre" só significa algo quando morrermos e formos pó. porque... porque...
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